Eletrônicos no contexto escolar: ajudam ou atrapalham?

por Michael Filardi, Coordenador Pedagógico, e Priscila Arcuri, Orientadora Educacional (Fundamental 2 da Escola Viva)

A discussão é antiga: a tecnologia ajuda ou atrapalha no cotidiano escolar?

Na década de 70, a questão era o uso da TV na sala de aula. As TVs, então um luxo naquela época, hoje tornaram-se comuns, até obsoletas, quando comparadas a modernos computadores, tablets e celulares. O debate agora ganha novos contornos, e a discussão (usar ou não?) se renova.

Crescem conversas a respeito da “Indústria 4.0”, fusão dos processos de manufatura e alta tecnologia: “Suas possibilidades transformadoras, com técnicas de eficiência e racionalidade aliadas ao domínio das mais avançadas tecnologias, inspiram mudanças em todas as áreas, até na educação”, aponta José Armando Valente, livre docente da Unicamp e pesquisador do Núcleo de Informática Aplicada à Educação.

Computadores modernos, conexão banda larga ou smartphones, sozinhos, não garantem uma Educação Digital. O foco deve estar sempre no aspecto intelectual, na capacidade de tirar proveito dessas tecnologias, com intencionalidade pedagógica e significado.

Tudo isso leva também a uma mudança na cultura escolar. Partir de um uso passivo, como copiar algo em um editor de texto digital, ler um livro em formato virtual ou abrir um tutorial, para explorar as inúmeras possibilidades de intervenções interativas e criação de artefatos ou outras produções, exige o domínio de conhecimentos e competências complexos.

Portanto, qual é o papel da escola?

É importante adequar as propostas pedagógicas para formar estudantes que passem de receptores passivos a produtores protagonistas e ativos, no centro de seu próprio processo de aprendizagem.

Quando um(a) estudante é submetido à resolução de uma equação de 2º grau no papel, basicamente, busca o ponto onde a curva corta os eixos. “Hoje, já há softwares em que se põe a equação e se pode brincar com ela, alterar os parâmetros para ver como a curva se comporta. Isso permite repensar os currículos, que na era digital podem ser muito diferentes. Temos de tirar proveito das plataformas, do que pode ser feito com softwares, inteligência artificial e outros recursos avançados, indo além de currículos centrados nas ações com lousa, lápis e papel.”, reforça o professor José Valente.

Educação Digital e a Escola

A Educação Digital é um campo de conhecimento emergente, e torna-se essencial para a qualidade educacional e garantia da inclusão social.

Não basta apenas disponibilizar tecnologias na sala de aula, é preciso promover uma proposta de inovação pedagógica muito mais abrangente: “Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.” (BNCC, 2018)

Tratar a relação com o digital como somente o uso de recursos reduz e simplifica as interações e atuações possíveis. Como nos relacionamos com os meios digitais, o acesso, a seleção e a organização de informação são fatores importantes para a construção da identidade e formação, além de determinar as possibilidades de atuação local e global.

Mais que meros consumidores das informações, é necessário formar cidadãos que saibam cooperar e produzir criativamente um futuro sustentável, ético e justo.

E a família, nisso tudo?

Como lidar com essa avalanche tecnológica que chega em uma velocidade, muitas vezes, mais rápida do que podemos absorver?

Essa, entre outras questões, nos leva, muitas vezes, a resistir à entrada dessas novidades na vida de nossos(as) filhos(as).

Proibir ou educar para o uso?

Proibir pode nos dar uma certa sensação momentânea de controle e segurança. Mas com quem ficará a tarefa de ensiná-los a transitar no mundo virtual de forma segura, respeitosa e produtiva?

Preocupações legítimas e importantes, pois conduzem a uma prática mais assertiva e menos leviana, enquanto escola e também enquanto família.

Não existe receita pronta para responder e enfrentar esse desafio, pois são diversas as formas de se relacionar com esses meios. O que é seguro afirmar é que intervenções serão necessárias sempre que houver um desequilíbrio entre o desejo de estar conectado e a concentração em outras atividades que acontecem longe dos meios eletrônicos.

O equilíbrio é sempre o ideal

É importante entender e orientar o uso do digital para qualificar as experiências nessas plataformas e ensinar, inclusive, a ser empoderados(as) no uso delas. Garantir que as crianças e os jovens desenvolvam as habilidades para consumir as informações disponíveis (e abundantes!) de forma reflexiva, exercer a autoexpressão com responsabilidade e, assim, participar ativamente da sociedade conectada. Tudo isso exige envolvimento de diversos atores, sobretudo famílias e escolas, que têm papéis fundamentais para minimizar os riscos e maximizar as oportunidades do ambiente digital.

Uma rotina que administre tempo e qualidade no uso de recursos digitais para preservar o interesse e atenção para outras atividades é o melhor caminho para manter crianças e jovens conectados. Claro, sem descuidar de outras atividades e afazeres importantes para o desenvolvimento, garantindo assim um bom uso dos equipamentos e recursos eletrônicos e uma melhor interação com as tecnologias digitais.

O diálogo e a negociação são fundamentais (sempre!) para a conversa sobre o tempo gasto nessas tecnologias, assim como sobre o que fazer com elas.    

                                                                                                                                 


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