Educação Digital: será que ainda precisamos pensar sobre isso?

 

por Fernando Cardoso 

Coordenador Pedagógico Fundamental 1 da Escola Viva

Caríssimos leitores e caríssimas leitoras, 

Para despertar o interesse para este texto e não cair na cilada de propor uma discussão recorrente, resolvi escrever uma carta! 

Mas uma carta para pensar sobre Educação Digital?

Sim! Qualquer que seja o meio de comunicação, é preciso que estejamos preparados para o que estamos vivendo e para as novidades que virão. Basta observar que praticamente tudo o que existe hoje no mundo afetou ou transformou a vida em sociedade, inclusive as cartas.

Quanto tempo faz que você não envia ou recebe uma carta? Pois é, atualmente há caminhos mais rápidos e efetivos para se comunicar, certo? Mas uma carta nunca perde seu encanto e sua poesia.

E por falar em poesia, acabo de me lembrar de uma música do Gil: Cérebro Eletrônico:

“O cérebro eletrônico faz tudo

Quase tudo

Quase tudo

Mas ele é mudo

O cérebro eletrônico comanda

Manda e desmanda

Ele é quem manda

Mas ele não anda [...]

Toda esta introdução, ilustres leitores e leitoras, é só para reforçar a importância das relações humanas em tempos tão digitais. Afinal, o cérebro eletrônico comanda, mas ele não anda sem você e nem sem os seus “botões de carne e osso”.

Vamos aos fatos! 

Grande parte da nossa vida e do nosso cotidiano estão vinculados à tecnologia digital, a necessidade atual é a de estar conectado. E, cada vez mais cedo, nossas crianças e nossos jovens são convocados para fazer parte disso também.

Por este motivo, convido vocês para refletirem sobre a importância da Educação Digital.

Educação Digital, o que é isso?

É comum as pessoas relacionarem a Educação Digital com o uso da tecnologia de forma instrumental. Mas na verdade, a Educação Digital é um campo de conhecimento que surge junto com as muitas mudanças que ocorreram a partir do século XXI.

De forma resumida podemos dizer que pensar em Educação Digital é entender que não basta incorporar as tecnologias na sala de aula ou no nosso dia a dia, há que se refletir sobre propostas de inovação pedagógica que convoquem os estudantes a usarem todo o potencial da internet de forma consciente, crítica e ética. 

Hoje, muitos teóricos discutem a importância de colocar foco nas interações com a tecnologia digital, já que existe o nosso "uso" e também o “uso” que as tecnologias fazem de nós, alterando/modificando e determinando as nossas práticas sociais.

Nesse sentido, perguntas rápidas, como por exemplo:

Quem sou eu no digital?

Quem são os influenciadores digitais que eu sigo? Qual a importância da opinião deles na minha vida real?

Como identificar se estou diante de uma notícia falsa?

A quantidade de likes nas minhas redes sociais mudam o meu humor?

Colaboram nas reflexões sobre como estou interagindo nos meios digitais e sobre como os meios digitais me influenciam, ou seja, quando a gente foca em interação e não apenas no uso, o lugar que as tecnologias digitais ocupam muda. Elas passam a ser vistas como parte da prática social e não um acessório ou uma ferramenta.

Um exemplo rápido é o de como fazemos pesquisas hoje, a forma de fazê-las mudou, o acesso às informações mudou, não somente porque conseguimos acessá-las muito rapidamente e em qualquer lugar, mas principalmente porque o acesso, que antes era determinado por uma biblioteca, hoje é determinado por muitas outras questões como o tipo de equipamento, o formato da notícia, os filtros de busca, os algoritmos que são desenhados por grandes corporações como o Google, a monetização da internet que determina o que aparece primeiro e o que aparece depois etc.

A ideia é que os estudantes saibam usar, de forma consciente, o lado bom da internet sem que isso prejudique a sua saúde física e mental.

Todos nós estamos vivendo mudanças rápidas no que diz respeito à relação com as tecnologias digitais, por isso é necessário integrar as práticas culturais contemporâneas no cotidiano das escolas e refletir sobre isso. Grande parte do cotidiano dos nossos estudantes é composto por jogos digitais, diferentes ambientes virtuais, redes sociais dentre outros, por isso, falar somente sobre o uso do digital e não refletir sobre as diferentes relações que este uso provoca é simplificar a discussão.

A sociedade atual precisa de pessoas que dominem o universo digital através da atuação em práticas sociais diversificadas, para que não se tornem meros consumidores das informações disponíveis, mas sim pessoas que saibam cooperar e produzir criativamente conhecimento de forma ética e responsável. 

Trabalhar a Educação Digital nas escolas prevê atividades digitais de descoberta e desconstrução, que estimulem formas de pensar que busquem as lógicas que estão por trás de determinadas situações ou práticas sociais.

A Educação Digital não é somente ter acesso à tecnologia digital, mas ao conhecimento crítico de como utilizá-la de acordo com as diferentes necessidades e interesses.

Neste sentido, é importante que a produção do conhecimento se dê a partir da complexidade do mundo atual. 

O digital possibilita o acesso, a seleção, a organização de informação, nossas relações e tem papel importante na construção da nossa identidade, na nossa formação, além de ampliar as maneiras e as possibilidades de atuar de forma local ou global.

Além de tudo, o digital favorece a cultura participativa, que utiliza a internet para ampliar relações e as possibilidades de interações. Afinal de contas, a sociedade está cada vez mais dinâmica, aberta, organizada em redes e suscetível a mudanças.

Se antes educávamos alunos e alunas para utilizar a tecnologia, hoje, usamos a tecnologia para educar os alunos e as alunas. 

Com a tecnologia ampliamos o acesso dos estudantes: independentemente da região em que estejam, podem acessar recursos de qualidade em videoaulas, games e plataformas. 

A tecnologia também auxilia a personalizar a educação, permitindo que cada aluno ou aluna possa encontrar a sua melhor maneira de aprender. Algumas plataformas já conseguem avaliar em tempo real o que cada estudante aprendeu, o que não aprendeu, quais são as suas necessidades e com que recursos aprende melhor. 

Dessa forma, é possível garantir que cada estudante siga o seu ritmo a partir do seus interesses e conforme o seu perfil de aprendizagem.

Outro grande desafio que as tecnologias ajudam a superar é o da qualidade, oferecendo recursos digitais cada vez mais diversificados, interativos e dinâmicos, que realmente ajudam o estudante a entender e aplicar o conhecimento. 

Pois é, caríssimos e caríssimas, a tecnologia, atualmente, apoia os educadores, oferecendo a eles a oportunidades de criar novas estratégias pedagógicas, além de tornar a educação disponível a toda hora, em todo lugar e cada vez com maior autonomia.

A tecnologia também nos ajuda a superar o desafio da contemporaneidade, aproxima as aprendizagens do universo do estudante do século XXI, cada vez mais mediado por recursos tecnológicos.

Mas, claro, é preciso ter cuidado quando tratamos desse assunto. 

A tecnologia não vai resolver sozinha todos os problemas da educação. É preciso mesclar atividades online com as atividades offline, atividades presenciais e atividades corporais.

A grande cilada é quando simplesmente se substitui a lousa tradicional pela lousa digital, o livro impresso pelo livro digital ou mesmo a aula convencional por uma videoaula. Os educadores continuam sendo os mediadores mais importantes de todo o processo.

Na Escola Viva, professores e professoras, devidamente preparados, criam estratégias pedagógicas para que alunos e alunas possam usar games, plataformas, enquanto outros experimentam projetos a partir de trabalhos de grupos. É essa mistura que garante a qualidade e a efetividade da educação.

E por este motivo, a boa formação dos professores e professoras é outro ponto fundamental para garantir o bom uso da tecnologia na escola. É importante que sejam capacitados para o uso desses recursos, para que possam familiarizar-se e entender as possibilidades para utilizá-los na prática, com qualidade e na medida certa!

Tão importante quanto a formação são as ferramentas qualificadas para que realmente façam bom uso e, além disso tudo, uma rica comunidade de troca, onde as informações possam ser intercambiadas com outros educadores e até mesmo outros estudantes.

Saber usar a tecnologia e as suas ferramentas em prol de uma educação mais assertiva influencia a maneira como os estudantes se preparam para o mundo real e contemporâneo.

Hoje em dia, os jovens já crescem imersos em um mundo conectado que possui acesso à internet, então é fundamental que aprendam a extrair dela tudo o que pode ser útil ao longo da vida (e a identificar o que não é útil também).

E não se iluda, ao educar para o uso dessas tecnologias, há aspectos que são de natureza socioafetiva, e não simplesmente cognitiva. Um jovem que tem milhares de “seguidores" em uma rede social pode estar precisando de amigos reais para compartilhar seus sentimentos olhando nos olhos, para conviver e trocar medos, desejos, metas, angústias e tantas outras coisas mais. 

Por isso, a escola deve ser um contraponto real ao mundo virtual, promovendo aulas participativas, projetos sociais, debates, grupos de teatro, hortas coletivas, campeonatos esportivos, eventos familiares etc.

Nem tudo é possível ao mesmo tempo, mas, em cada atividade, as tecnologias digitais estarão a serviço da Educação e da vida escolar, que, sem ser sua refém, se beneficia delas. 

Seria impensável, isso sim, ignorar a onda tecnológica que nos alcança. Se não aprendermos a surfar nela, acabaremos inundados.

E para terminar, lembramos…

“O cérebro eletrônico faz tudo

Quase tudo

Faz quase tudo

Mas ele é mudo”

Atenciosamente,

Fern@ndo C@rdoso


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