Parece divertido, mas será que estão aprendendo?

por Michael Filardi, Coordenador Pedagógico (Fundamental 2 da Escola Viva)

Talvez alguns(mas) de vocês já tenham ouvido o título desse texto, parafraseado da tradução de um artigo que eu gosto muito, originalmente chamado “It Looks Like Fun, But Are They Learning?”, escrito por Mike Petrich, Karen Wilkinson e Bronwyn Bevan, que compõe o capítulo 5 do livro "Design, Make, Play" (2013).

Faço referência a esse artigo - que naquele texto refere-se bastante à aprendizagem mão na massa desenvolvida informalmente no Tinkering Studio, um espaço do Museu Exploratorium, em San Francisco/EUA - pois acredito piamente que o processo de ensino-aprendizagem pode e deve se dar em um ambiente lúdico, diverso, ativo e interativo. Isso de forma alguma deve-se confundir com um ambiente de falta de rigor ou seriedade acadêmica.

Diversos estudos recentes da Neurociência comprovam o quanto é fundamental aliar aprendizagem profunda e duradoura com um ambiente que estimula a criatividade, leveza e condições significativas para os/as estudantes.

Cada vez mais algumas escolas, destacando a Escola Viva, têm considerado a importância de embasar seu modelo pedagógico não somente na transmissão de conceitos e conteúdos factuais, como principalmente, no desenvolvimento de habilidades e competências, que passam pela implementação de estratégias, recursos e abordagens didáticas que privilegiem atitudes, procedimentos e valores éticos, estéticos e poéticos.

Ora, se o modelo pedagógico já não traduz o conservadorismo de outros tempos, o que é necessário ser feito pela gestão escolar, em termos de formação docente e práticas de sala de aula?

No caso do Fundamental 2, temos discutido profundamente a avaliação formativa, a importância de um planejamento mais focado na compreensão de longa duração, a diversificação de estratégias, o emprego de atividades cada vez mais práticas e a integração ainda maior entre áreas, inclusive não só entre as de um mesmo campo curricular.

Acreditamos que uma pluralidade de atividades pode conciliar as múltiplas inteligências presentes em cada estudante, garantindo, assim, que vejam sentido em estar na escola, orgulhem-se do que criam, e, afinal, mantenham-se engajados/as e comprometidos/as com seu próprio processo de aprendizagem.

Toda essa diversidade no dia a dia escolar traz também uma indagação sobre a eficácia deste modelo em relação a um modelo mais tradicional, de direta e constante transmissão de conteúdos.

 

Imaginem adolescentes trabalhando em grupos, produzindo videoclipes fora de sala de aula, mergulhando em cachoeiras e colhendo mandioca em Unidades de Conservação, debatendo em simulações estudantis, escavando tanques de areia com crianças pequenas em busca de fósseis criados por eles/as mesmos/as, cozinhando PANCs, calculando o orçamento de um evento a ser preparado e celebrado por eles/as …realmente, parece divertido, mas será que estão aprendendo?

Sabemos que a prática coletiva, consistente e coerente, e a continuidade da formação com nossa equipe são caminhos que nos confirmam que, quando o conceito de aprendizagem é mais amplo e integrado do que a mera reprodução de fatos, datas e números em situações descontextualizadas, englobando práticas baseadas em competências e habilidades para intencionalmente desenvolver atitudes e procedimentos com propósito, e se ainda as atividades de aprendizagem forem elaboradas em um contexto cheio de múltiplos e diversos estímulos, então, sim, eles/as estão aprendendo.

Nesta perspectiva, adaptar o modelo avaliativo para acompanhar esse ambiente de aprendizagem é uma necessidade. Provas podem ser instrumentos avaliativos qualitativos importantes nesse processo, mas não só. É relevante que outros instrumentos componham o percurso avaliativo formativo, tais como autoavaliações, rubricas, portfólios, fichas de projetos, quizzes, rotinas de pensamento, ou seja, ferramentas que demonstrem que eles/as estão profundamente engajados/as, e de maneira pessoalmente significativa, em práticas baseadas em evidências, nas quais os próprios artefatos e criações são evidências do que precisa ser aprendido e do que foi aprendido, de maneira criativa e em um ambiente de aprendizagem que parece...devemos admitir...muito divertido e instigante!


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