E se eu não quiser brincar no recreio?

por Fernando Cardoso, coordenador pedagógico de Ensino Fundamental 1 da Escola Viva

Fernando por Fernando identificando-se com Manoel por Manoel

“Eu tenho um ermo enorme dentro do olho. Por motivo do ermo não fui um menino peralta. Agora tenho saudade do que não fui. E com esta senectez atual me voltou a criancês. Acho que o que faço agora é o que eu não pude fazer na infância. Faço outro tipo de peraltagem[...] Em vez de peraltagem eu fazia solidão. Brincava de fingir que pedra era lagarto. Que lata era navio. Que sabugo de milho era boi. Eu era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto. Cresci brincando no chão entre formigas. De uma infância livre e sem comparamentos”. (Manoel de Barros - Meu Quintal é Maior do que o Mundo)

 

Bateu o sinal! O recreio começou!

A maioria dos estudantes considera o recreio a melhor parte da rotina escolar. A grande verdade é que o recreio é tão esperado por ser um momento em que se sentem livres, sem adultos dizendo o que devem ou não fazer. São alguns minutos de “liberdade”, para ser o que quiser e brincar o quanto puder.

A escola é um espaço de aprendizagem, mas também de convivência. Nesse contexto, o recreio ganha relevância curricular. Aprender a conviver desempenha um papel fundamental no desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo.

Momento livre ou momento de aprender?

Enquanto “aproveitam” o recreio, os estudantes interagem com pares em um contexto diferente e interagem também com turmas diferentes, desenvolvendo as habilidades de compartilhar brinquedos, respeitar as regras dos jogos e brincadeiras, resolver conflitos e negociar.

Também é um importante momento de fazer escolhas e tomar decisões: de quais brincadeiras participar, com quem brincar, como usar o tempo. Liberdade que promove a independência, a capacidade de tomar decisões e a autonomia.

Podemos jogar futebol?

Ter liberdade não significa falta de intencionalidade por parte dos adultos.

Na Escola Viva, os cantos do recreio contemplam diferentes linguagens e desafios.

As quadras estão sempre cheias, mas o futebol acontece apenas um dia da semana para cada turma. Nos outros dias, são oferecidos queimada, pega-pega, pique-bandeira e outros esportes.

No quintal ou na praça, há sempre jogos de tabuleiro, cantos com miçangas, desenho, pintura, massinha e blocos para montar, corda para pular, amarelinhas e espaços livres para correr e explorar.

Atividade dirigida ou brincar livremente? Conversar ou ler? Professores e monitores estão sempre atentos para apoiá-los nessas escolhas.

Afinal, um recreio totalmente livre - sem o olhar de adultos e com atividades muito competitivas - é o palco favorável para conflitos e exclusão dos que não gostam de jogar.

A aprendizagem no recreio é natural, espontânea e baseada na experiência prática. Um ambiente de aprendizado não estruturado, em que as crianças exploram e experimentam o mundo de maneiras significativas e divertidas.

Mas e se eu não quiser brincar no recreio?

“Eu era um serzinho mal resolvido e igual a um filhote de gafanhoto. Cresci brincando no chão entre formigas”.

O recreio era o meu momento preferido, mas um dia deixou de ser!

Gostava de conversar, estar com colegas, sentir o sol, ler, jogar queimada, brincar de imaginar…

Mas à medida que a escolaridade avançava, os espaços para as brincadeiras foram diminuindo. Talvez tenha nascido daí o meu desejo por cursar Educação Física e explorar os jogos e as brincadeiras como recurso didático.

Adolescente também gosta de brincar! Algumas bolas de borracha, giz para riscar o chão, elásticos e cordas para pular sempre são ótimos desafios para as brincadeiras. Em tempos de tecnologia em excesso, brincar tem oferecido raras oportunidades para conexões reais.

O tempo de recreio pode ser um momento de alívio do estresse do dia a dia, permitindo que os estudantes relaxem, divirtam-se e liberem energia acumulada, o que contribui para o bem-estar geral.

Quando uma criança não quer brincar no recreio, é importante investigar os motivos. Podem ter preferências diferentes, personalidades mais introvertidas ou estar enfrentando desafios específicos. É importante observar as preferências na hora de brincar. Iniciar um diálogo aberto para identificar por que prefere ficar sozinha e não quer brincar.

Nem todas as crianças têm o mesmo interesse em brincar, e isso é perfeitamente normal.

Descobrir os interesses específicos da criança que está ficando sozinha e incorporá-los ao recreio pode aumentar a sua participação nas atividades coletivas.

Bateu o sinal - O recreio acabou!

É importante reconhecer a importância do recreio na rotina escolar. Durante as brincadeiras, as crianças experimentam emoções, aprendem a lidar com conflitos, sucessos e fracassos, praticam a autorregulação emocional e habilidades de autorreflexão.

Com propostas dirigidas ou livres, todas as crianças devem ter condições e oportunidades de participar. Essas experiências ajudam no desenvolvimento da formação integral, da inteligência emocional e na construção de uma base sólida para a saúde mental.

E você, já contou para o seu filho ou filha do que você mais gostava de brincar no seu recreio?

Tenho certeza que vão adorar saber!

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