Cidade educadora - A escola e as praças

Sonia Tokitaka
Assessora da área de Ciências da Natureza e Sustentabilidade

“ ... que sabemos dos lugares é coincidirmos com eles

durante um certo tempo no espaço que são.

O lugar estava ali, a pessoa apareceu, depois a pessoa partiu,

o lugar continuou, o lugar tinha feito a pessoa,

a pessoa havia transformado o lugar. ...”

 (Palavras para uma cidade, de José Saramago)

Para início de conversa, cabe a pergunta: O que é Cidade Educadora?

Em 1990, o I Congresso Internacional de Cidades Educadoras, realizado em Barcelona, reuniu representantes locais de um grupo de cidades com o objetivo de trabalharem propostas para melhorar a qualidade de vida de seus habitantes.

Estes eram alguns dos princípios expressos na Carta das Cidades Educadoras:

- Trabalhar a escola como espaço comunitário.

- Trabalhar a cidade como grande espaço educador.

 - Aprender na cidade, com a cidade e com as pessoas.

 - Valorizar o aprendizado vivencial.

- Priorizar a formação de valores.

A Carta, atualizada nos muitos anos que se passaram, vê na educação uma ferramenta de transformação social, entendendo que escola e família têm um papel relevante, mas que há outros agentes educadores nesse processo que acontece ao longo da vida de seus cidadãos.

Em síntese, ela “representa o compromisso com um modelo de cidade regida por valores de inclusão, igualdade de oportunidades, justiça social, democracia participativa, convivência entre diferentes culturas, diálogo entre gerações, promoção de estilos de vida saudáveis e respeitadores do meio ambiente, planificação de uma cidade acessível e interconectada, cooperação e paz, entre outros aspetos. Princípios, todos eles, alinhados com a Agenda 2030 das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável”.

A identidade entre os princípios expressos na carta e o trabalho que a Escola Vive desenvolve é clara.

A cidade educa! Intencionalmente - ou não - transmite informações e valores por diferentes instâncias, orientados por políticas que se expressam no urbanismo, nos serviços e equipamentos oferecidos.

Não sem motivo o urbanismo é uma forma potente de leitura da cidade e dos seus valores. Permite perceber sobre os transportes e acessibilidade privilegiados, equipamentos sociais e culturais presentes, relações com a natureza, espaços públicos e sua qualidade, entre outros tantos elementos da paisagem urbana.

Como toda a leitura, essa também precisa ser aprendida. Aprendizagem que requer ação, situações práticas e vivências.

Espaços públicos são importantes nesse processo. As interações que nele ocorrem, a forma como é ocupado e a estética que apresenta são reveladores.

Ler para quê? As praças e o trabalho da Escola Viva.

As praças estão presentes no trabalho de todos os segmentos, de diferentes maneiras, como espaços que permitem aprender essa leitura, mas também como convite à intervenção.

A leitura é importante para formar um cidadão participativo, crítico, responsável e interessado pela coisa pública. As praças são espaços onde há possibilidade de atuação nesse sentido. Ler para avaliar, propor e melhorar e, para isso, aprender sobre gestão dos espaços públicos, articular-se com a comunidade e dialogar com outras instituições.

Aprender a criar uma cidade mais “educada”, que possa ser lida também pelos seus moradores e frequentadores.

Planejar uma intervenção implica em conhecer o espaço, elaborar diagnósticos, pesquisar, considerar as variáveis envolvidas e elaborar propostas. Depois, dialogar, argumentar sobre elas e tomar decisões que precisam de encaminhamentos para serem viabilizadas, como vem acontecendo com os alunos e alunas do 7º ano na Trilha Investigativa que envolve a praça Roger Patti, vizinha da escola.

As praças e as cidades

Com a crescente tendência de urbanização, as cidades desempenham papel central sob a perspectiva da sustentabilidade.

Segundo a Organização das Nações Unidas, atualmente mais da metade da população mundial vive em áreas urbanas, mesmo as cidades representando 3% da superfície do planeta. Persistindo essa tendência, a perspectiva é que em 2050 esse percentual chegue a dois terços.

As praças ganham relevância também sob a perspectiva ambiental, particularmente considerando a crise climática, a biodiversidade urbana e seu papel em gerar serviços ecossistêmicos para as populações, como saúde, alimento e água. A leitura e intervenção ganham então maior complexidade.

Nosso trabalho nas praças diz respeito à cidade que temos, mas principalmente à cidade que queremos, nossos desejos para agora e para o futuro.

“A questão de que tipo de cidade queremos não pode ser divorciada do tipo de laços sociais,

relação com a natureza, estilos de vida, tecnologias e valores estéticos desejamos.

O direito à cidade está muito longe da liberdade individual de acesso a recursos urbanos:

é o direito de mudar a nós mesmos pela mudança da cidade.

Além disso, é um direito comum antes de individual já que esta transformação

depende inevitavelmente do exercício de um poder coletivo de moldar o processo de urbanização.

A liberdade de construir e reconstruir a cidade e a nós mesmos é,

como procuro argumentar, um dos mais preciosos e negligenciados direitos humanos.”

(O direito à cidade, de David Harvey)


Desenvolvendo competências socioemocionais na escola

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