Entre o ursinho de pelúcia e o sutiã - Uma pequena reflexão sobre a pré-adolescência

por Priscila Arcuri - Orientadora Educacional de F2 da Escola Viva

"Não sei para onde vou, só sei que estou indo."

(Robert Frost)

Imaginem, em alguns meses ou poucos anos, se ver com de 10 a 20 centímetros a mais de altura,  pelos pelo corpo, nariz, curvas, voz, cravos, espinhas, cor e tipo de cabelo... tudo diferente. Olhar para aquele(a) melhor amigo(a) e não se identificar mais com ele(a); começar a perceber que a fonte de conhecimento, até então inquestionável, não é mais tão inquestionável assim… De repente, aqueles jogos, brinquedos, cartas Pokemon, roupas e acessórios de personagens, ursinhos de pelúcia… já não fazem mais tanto sentido assim.

Essa fase, em que todas essas modificações - tanto físicas como emocionais - ocorrem e que se localiza entre a infância e a adolescência - chamamos de pré-adolescência.

Todas essas variedades e variáveis, que acontecem em um período bem curto de tempo e, na maioria das vezes, ao mesmo tempo, fazem com que os pré-adolescentes vivam uma verdadeira montanha russa de emoções e mudanças.

Estudiosos de diferentes áreas, ao falar sobre essa fase da vida, atentam para o fato de que não podemos localizá-la em um tempo cronológico preciso, pois o desenvolvimento físico de cada pessoa é bastante particular. Para alguns pode começar entre 9 e 10 anos; para outros, entre 12 e 13 anos de idade. Essas referências dizem respeito somente ao início do processo de mudanças corporais, e não de maturação psíquica e emocional.

Assim, nossos filhos e nossas filhas, alunos e alunas, além de vivenciar essa montanha russa interna, ainda têm que lidar com a diferença e discrepância explícita que percebem entre os pares.

“Meu corpo está mudando, mas o dos meus amigos não!”

“Eu já não quero mais brincar disso, mas meu melhor amigo/a sim!”

“O que está acontecendo comigo?”

“Eu era o mais alto e agora sou o mais baixo da turma, será que não vou crescer mais?”

Esse tipo de questão e pensamento são comuns. E, por conta disso, também é frequente percebermos, nessa fase, alguns comportamentos e escolhas: como querer usar a mesma roupa dos pares - como forma de lidar com essa discrepância natural -; usar roupas que escondam aquele novo corpo - com o qual ainda não sabemos lidar-; e, simbolicamente, oscilar entre a escolha do ursinho de pelúcia e o sutiã.

Esses dois elementos - ursinho de pelúcia e sutiã  - aqui utilizados simbolicamente para ilustrar essa fase da vida que oscila entre a infância e adolescência.

Essa oscilação das escolhas - entre o que remete à infância e o que representa uma nova fase - também é comum, pois encarar esse novo cenário é enfrentar o desconhecido, o que também gera angústia e, muitas vezes, faz com que se ‘agarrem’ ao já conhecido.

Frente ao descrito até agora, podemos também compreender as irritações, os distanciamentos, as conversas lacunares…. Isso porque, apesar de já termos passado também por essa montanha russa, e, às vezes, ela parecer clara a quem vê de fora, para eles e elas, que estão vivenciando há pouco tudo isso, é inconsciente e impossível de nomear. Na maioria das vezes, todos esses conflitos transparecem somente como incômodo e angústia.

Agora, como adultos e adultas que estão vendo e vivendo tudo isso com eles e elas - tanto na escola como na família - temos o desafio de pensar em como lidar com essa fase.

As primeiras coisas que devemos pensar é que devemos respeitá-los(as), acolhê-los(as), orientá-los(as) e, sobretudo, escutá-los(as). Respeitar dúvidas, questionamentos e crises; acolher irritabilidades e sentimentos; orientar sobre os caminhos que estão por vir e, sobretudo, pelo caminho que estão passando; e, por fim, sempre ter uma espaço de escuta, escuta essa que deve ser a mais legítima possível, no sentido de tentar não julgar e não moldar o que eles e elas falam àquilo que gostaríamos de ouvir.

Na escola, criamos espaços de escuta e acolhimento e também proporcionamos contato com instrumentos e obras que ajudam a entender o que está acontecendo, como, por exemplo, assembleias, mediações de conflitos, conversas sobre como, na verdade, somos todos diferentes entre nós. A organização de  leituras compartilhadas, como a que houve a respeito do livro "A Metamorfose", de Franz Kafka, adotado como leitura no 8º ano do Fundamental da Escola Viva, também é uma boa estratégia para falar de mudanças e estranhamentos.

Em casa, podemos contar sobre como passamos e enfrentamos nossa própria "fase de montanha russa". Podemos orientar e ajudar concretamente a entender e lidar com esse novo corpo (menstruação, altura, voz, espinhas etc); promover encontros com pares para fazer atividades que  ajudem a entender essa fase, como atividades corporais, livros e filmes.

Essas são apenas algumas dicas entre inúmeras possibilidades que podemos oferecer aos nossos e nossas pré-adolescentes.

Porém, o mais importante de se ter em mente é que devemos, apesar de muitas vezes eles(elas) não quererem, ficar perto e, sobretudo, como já dito anteriormente, ouvi-los e respeitá-los. Pois, na dúvida, um bom diálogo é sempre um ótimo caminho a seguir.


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