Jogos teatrais na escola: aprendizagem em cena

por Fernando Cardoso - Coordenação Pedagógica Escola Viva

Os jogos teatrais são um excelente recurso didático, sobretudo pela sua característica coletiva, cooperativa, problematizadora, reflexiva e emancipadora.

Nas atividades propostas, alunos e alunas confrontam ideias e tomam decisões, o que contribui para que a aprendizagem tenha relevância no seu desenvolvimento.

Saiba mais sobre os jogos teatrais e surpreenda-se com as possibilidades de ensinar e aprender jogando. Conheça a proposta de jogo teatral de tabuleiro desenvolvida durante o Mestrado de Fernando Cardoso - Coordenação Pedagógica do Fundamental 1 da Escola Viva.

O poder dos jogos teatrais na proposta pedagógica

A produção e a ampliação de conhecimentos devem transcender as fronteiras curriculares, passar pelo interesse, curiosidade, criação individual e coletiva, pela investigação e construção de saberes fundamentais para uma participação crítica e ativa na sociedade.

Aprendemos muita coisa jogando, principalmente a resolver problemas de forma criativa, nos relacionar melhor com as pessoas, as adversidades e as imprevisibilidades do mundo. 

Os conteúdos ensinados por meio de jogos teatrais constroem saberes que superam as expectativas traçadas.

Rheta DeVries e Constance Kamii, estudiosas do desenvolvimento infantil, afirmam que, durante o jogo, os participantes estão mentalmente mais ativos do que em um exercício em uma folha de caderno. Nos jogos, esperamos que as crianças confrontem ideias e tomem decisões, o que contribui para que a aprendizagem tenha relevância no seu desenvolvimento.

A ideia de que o  jogo é um recurso didático potente no processo de ensino e aprendizagem, coincide com o pensamento que entende a educação como um processo permanente que se estrutura na inconclusão do ser, tornamo-nos “educáveis” quando tomamos consciência do nosso inacabamento. 

A nossa capacidade de aprender e de ensinar é ampliada quando somos sujeitos e não objetos das nossas experiências de aprendizagens.

A imagem mostra um grupo de crianças se abraçando.

O teatro constrói saberes críticos e reflexivos

Walter Benjamin, filósofo alemão, teórico, também da área da educação, muito estudado até os dias de hoje, defende que o teatro constrói saberes críticos e reflexivos, afinal realidade e jogo fundem-se por meio dos exercícios cênicos, gerando uma não submissão e não aceitação de tudo sem o devido questionamento.

“O processo educativo deve considerar o aluno e toda a sua história de vida dentro de um terreno delimitado. Ou seja, o uso do teatro e dos jogos teatrais em situações de aprendizagens possibilita aos educadores abarcar toda a história de vida da criança. Para os estudantes, isso se configura como uma oportunidade de viverem novas experiências por meio de uma educação dialética.” (Walter Benjamin) 

Os jogos, portanto, podem ser entendidos como um excelente recurso didático, sobretudo pela sua característica coletiva, cooperativa, problematizadora, reflexiva e emancipadora.

A imagem mostra várias crianças, umas ao lado das outras.

Os jogos teatrais nasceram dos encontros familiares

Ingrid Koudela, uma das figuras centrais no estudo da pedagogia e didática do teatro, afirma que os jogos teatrais utilizados na escola se originaram dos jogos de salão, das brincadeiras espontâneas organizadas pelas famílias. A grande diferença entre o jogo teatral e o jogo de mímica tradicional é a intencionalidade que o jogador aplica no gesto.

O recurso permite que o professor aproveite as experiências de vida dos seus alunos para compor com as novas descobertas que estão sendo construídas, ideia muito ligada à proposta construtivista.

Pressupondo criação e criatividade, os jogos envolvem quem cria, quem realiza algo novo, com seus próprios recursos e dentro de suas possibilidades. O resultado deste processo não pode ser o ponto final, ele deve disparar novas perguntas, novas reflexões e novas possibilidades de criação.

A imagem mostra uma fila de crianças sentadas, umas atrás das outras.

Os jogos teatrais permitem que os alunos se conheçam melhor

Viola Spolin, autora de vários textos sobre improvisação, defende que os jogos teatrais permitem que os alunos se conheçam melhor. Não adquirem apenas habilidades performáticas, mas desenvolvem a imaginação e a intuição, além de descobrir novas possibilidades para agir em situações não familiares. 

Os jogos teatrais não desenvolvem apenas habilidades cênicas, eles são úteis nas diferentes situações de vida. Oferecem a oportunidade de interferir na realidade, normalmente controlada pelos adultos, de exercer a liberdade, respeitar o outro e criar noções de responsabilidade na  comunidade da sala de aula.

No cenário dos jogos, professor e aluno se encontram como parceiros, envolvem-se um com o outro, entram em contato, se comunicam, experimentam novas situações, respondem a questões inusitadas e fazem descobertas surpreendentes.

“O jogo é democrático! Todos podem aprender jogando! O jogo estimula a vitalidade, despertando a pessoa como um todo - mente e corpo, inteligência e criatividade, espontaneidade e intuição - quando todos, professor e alunos unidos estão atentos para o momento presente.” (Viola Spolin)

A prática, que articula com várias áreas de estudo, deve ser entendida como complemento para a aprendizagem escolar, pois amplia a consciência de problemas e ideias, colabora para o desenvolvimento intelectual e de habilidade de comunicação pela escrita e por formas não verbais, além estimular a interação, aprimorar a concentração e ampliar as possibilidades de resolver problemas de forma criativa.

Conforme o pensamento de Olga Reverbel, pioneira nos estudos e práticas das relações entre teatro e educação no Brasil, ”Vamos jogar o jogo, como fazem as crianças. Se não der certo, recomeçaremos…”

A imagem mostra crianças deitadas e, ao centro, três crianças em pé.

Habilidades e competências desenvolvidas pelos jogos teatrais

  • Potencializar a criatividade e a habilidade para improvisar
  • Trabalhar em grupo e de forma colaborativa
  • Exercitar a imitação e a autoria
  • Explorar ações do cotidiano, a partir diferentes matrizes estéticas e culturais
  • Explorar o faz de conta
  • Ressignificar objetos e fatos 
  • Compor e encenar acontecimentos, por meio de imagens, textos, músicas e conflitos de forma intencional e reflexiva
  • Apreciar diferentes manifestações teatrais
  • Aprimorar a capacidade de apreciar histórias, cultivar a percepção de si, o imaginário, o poder de simbolizar e de construir um repertório ficcional e cultural
  • Colocar-se no lugar do outro
  • Buscar diferentes formas de solucionar conflitos e propor reflexões
  • Ampliação do repertório cultural

Competências indicadas na BNCC - Base Nacional Comum Curricular

Um tabuleiro de competências e habilidades

Se o mundo contemporâneo exige formas criativas e reflexivas para desenvolver aprendizagens profundas e significativas, que tal criar um jogo teatral de tabuleiro?

A Escola Viva acredita na importância de formar pessoas competentes e sensíveis, capazes de produzir conhecimentos em ambientes colaborativos e soluções inovadoras para a diversidade do mundo. 

A partir dessa premissa, nasce a ideia de investigar os jogos teatrais como recurso didático potencializador de aprendizagens significativas.

O que alunos, alunas, professores e professoras pensam sobre tudo isto? 

Como enxergam a importância dos jogos teatrais no currículo escolar?

O que dizem alguns professores e professoras da Escola Viva sobre jogos teatrais

“Quando eu penso em  jogos teatrais, acredito que, além de possibilitar novas vivências, seja um instrumento de trabalho poderoso para que a criança se coloque no lugar do outro, veja outros pontos de vista, outras vivências, experimente construções de personagens e cenários.” (professora polivalente do 5º ano)

“A importância da aula de jogos teatrais é a oportunidade de ter dentro de um coletivo heterogêneo a oportunidade de vivenciar outras personas, outras realidades, experimentar ser quem você não é, viver uma cena diferente em um momento importante de formação do sujeito.” (professora de Artes Visuais)

“A primeira coisa que vem à cabeça é a improvisação, que é algo que eu trabalho muito nas aulas de música e acho que tem tudo a ver com o teatro. Quando eu pergunto para os alunos se eles sabem o que é improvisar, muitos citam o exemplo do ator que esquece o texto e precisa improvisar. O Koellreutter que é um super educador musical que viveu no Brasil um tempo, fala que a improvisação é uma atividade autodirigida, que trabalha a autonomia, o aluno aprende a se colocar e a ter criatividade.” (professora de Música)

E o que os alunos e alunas da Escola Viva dizem sobre jogos teatrais? 

“As aulas de jogos teatrais ajudam a perder a vergonha, a se soltar, e também no começo parece chato, mas você depois começa a perceber que a sua integração com as pessoas melhora. Você aprende a trabalhar em grupo, porque nos jogos teatrais não é só você, precisa da sala toda.” (aluno 1)

Você começa a se colocar no lugar de outras pessoas, porque em alguns jogos você vive, sente e até interpreta. Eu comecei a ir melhor nos trabalhos em grupo das outras matérias, comecei a me expressar melhor e até a falar na frente da minha sala sem ficar com tanta vergonha.” (aluno 2)

“A gente fica quase o tempo todo na sala de aula sentado, quando chega a aula de jogos teatrais muda a sala, não tem lousa, cadeiras e um monte de lição. Você aprende fazendo, você fica até mais amigo de algumas pessoas.” (aluno 3)

“O mais legal é trabalhar em grupo, às vezes você escolhe com quem vai trabalhar e às vezes é a professora que escolhe. Quando a professora escolhe você conhece gente nova, quer dizer não novo na sala, mas novo como grupo de trabalho e é legal saber como é trabalhar com pessoas que você não é tão amigo.” (aluno 4)

A imagem mostra um teatro de sombras e uma plateia com algumas crianças.

E, então, vamos jogar?

Tenho certeza que você ficou curioso! 

E, então, vamos jogar, explorar, vivenciar e problematizar o nosso jogo teatral de tabuleiro? 

O jogo desenvolvido pelo projeto do Mestrado do Fernando está disponível em versão digital e também física. 

Disponibilizamos abaixo os links para você acessar e se divertir!

Vídeo de apresentação - jogo projeto Fernando Cardoso

É fácil e muito intuitivo. Além de divertido!

Clique na imagem abaixo e veja uma breve apresentação.

A imagem mostra a capa de um jogo virtual.

Versão on-line - jogo projeto Fernando Cardoso

A versão virtual foi programada pelo professor Ricardo Elias Delgado - professor responsável pelo laboratório de Oficina Maker da Escola Viva.  

A imagem mostra a cena de um jogo virtual.

Versão impressa - jogo projeto Fernando Cardoso

Você também pode acessar aqui a versão impressa do Tô em cena

Jogos teatrais como ferramenta de respeito ao outro

Por sua natureza cooperativa, os jogos teatrais promovem naturalmente o respeito ao outro, competência que pressupõe o desenvolvimento social. O aluno é convocado para ser solidário, colaborativo e a conhecer o mundo em que vive para ter o poder de transformar a sua realidade. 

“Por fim, podemos entender que o teatro garante para as crianças a realização de sua infância, os exercícios cênicos podem ser considerados uma grande composição criativa para o trabalho educacional. Desta forma, novas aprendizagens ganham sentido, corpo e espaço provocam a liberdade de expressões, de sentimentos, de sensações e de percepções.” (Walter Benjamin)

A imagem mostra várias crianças.

Fim de jogo?

Não! Este é só o começo.

O grande impacto dos jogos teatrais no currículo escolar é que durante uma situação de jogo, geralmente os estudantes estão mentalmente mais ativos do que quando realizam um exercício em uma uma apostila ou um livro didático. 

Quando jogam, as crianças precisam confrontar ideias e tomar decisões junto com os adultos e seus pares, contribuindo assim para que a aprendizagem tenha relevância e sentido.

Os bons jogos são aqueles em que as crianças jogam juntas, que têm regras claras e acordos validados por todos. É muito importante que cada jogador experimente papéis que são interdependentes, opostos e cooperativos.

Todo jogo teatral tem um significado, sendo assim, ao jogar, é possível produzir conhecimentos em ambientes colaborativos e gerar soluções inovadoras para a diversidade e para as exigências do mundo contemporâneo.

O jogo teatral é uma atividade altamente social, pois geralmente é proposto um problema que deve ser solucionado de forma coletiva, e este objetivo comum proporciona o desenvolvimento de muitas habilidades sociais.

Ao jogar, os alunos estão se expressando, partilhando diferentes informações, construindo relações e sentidos para diferentes situações e exercitando ideias individuais e coletivas. São convocados a exercitar a empatia, construir diálogos de forma respeitosa, resolver os conflitos e cooperar. 

Leia aqui na íntegra o artigo de Fernando Cardoso.


Baixe o ebook:  Desenvolvendo competências socioemocionais na escola

A imagem mostra a capa de um ebook.

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