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Nas minhas lembranças de você, seus cabelos vêem
primeiro. Quando você corria, eles dançavam. Os olhos
se apresentavam entre os cabelos como personagens em cena. Olhos
curiosos, às vezes desconfiados ou distantes, mas sempre
pensativos como holofotes vivos.
Como em um filme em câmera lenta, sua presença era
calma e tranqüila A primeira palavra que António escreveu
foi LUA e ele mesmo comentou:
"Essa foi a primeira palavra que eu falei".
Na história da escola cruzam-se milhares de lembranças
como essa que, junto com as idéias que estão aqui
registradas, formam uma trama. E ts não entendemos história
como uma sucessão linear de acontecimentos. É mesmo
uma trama, combinada de passado e presente, de ideais e realizações,
alunos e professores, famílias e funcionários.
Agora, na sua juventude de 26 anos, António conseguiu captar,
conservar resgatar tão bem a essência da escola de
sua infância.
Como eu mesma contei para as nossas crianças que foram para
a 1a série no ano passado:
"Era numa casa pequena, mas já tinha o essencial: uma
grande árvore,
viveiro para as nossas galinhas, um coelho Pedro, um canteiro para
plantar e muito lugar para as doze crianças brincarem. Lá
não faltavam músicas,
muitas cores de tintas, o barro e um cheirinho de bolo sempre no
ar..."
E o nosso António hoje escreve LUA e muito mais nestes textos
deliciosos.
O riso que despertam não vem da chacota, mas da emoção
e do humor
sensível de um adulto surpreso e grato às crianças
e suas idéias originais.
Trama trançada com respeito e sensibilidade.
Fui escolhida para iluminar as páginas deste livro em nome
de toda a
equipe da escola. Neste momento, lembro que há mais de trinta
anos o
encontro de nós três (Maria lgnez,Mariangela e eu)
foi mágico. Juntas
formamos uma primeira trama e, com muito cuidado, criamos o primeiro
espaço para o que é hoje uma árvore frondosa.
Que privilégio e que
orgulho dessa autoria!
No entanto, o desenvolvimento da escola não depende só
de nós três.
A Escola Viva se alimenta das diferenças, da alegria, do
prazer e, principalmente, do cuidado com os detalhes de cada um que dela
participa.
Na nossa trama precisamos de todos os fios: as imagens fotográficas
da Jade e o interesse editorial do Alexandre, a participação
do paizão
Fernando, representando o olhar atento e apaixonado das famílias.
Falamos tanto de trama. Trama que lembra colcha, que aquece e dá
sensação de aconchego, de segurança. Será
que é por causa desse ideal, dessa emoção que
não acaba nunca, em criar uma escola segura e ao mesmo tempo
estimulante para aprender, planejar, sonhar e realizar viagens sem
fim?
Ou será por causa do outono que já vem trazendo seus
ventos frescos?
Deixo vocês saborearem e se aconchegarem nas páginas
do nosso livro.
Helô
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