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Planejamento: As brincadeiras e o tempo

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Brincadeiras - O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem

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Vem o tempo de tudo.

Na Amazônia, as crianças sabem o tempo certo de riscar a amarelinha no chão, sabem o lugar ideal para entrar na mata e cortar a árvore para construir um pião. E também sabem que há tempo para brincar.

Aqui, no nosso tempo de Escola, há um tempo se pensa sobre a importância do brincar. Mas este ano, passado o tempo das férias, voltamos a habitar nosso espaço, nosso lugar brincante de educadores. Esta semana de planejamento é o tempo do encontro, das novidades, do reconhecimento. É em sua grande importância, um tempo de pensamento. E foi debaixo de chuvas longas que convidamos Renata Meirelles*, doutora da arte do brincar.

E que convite! Educadores se encontraram para além de um diálogo verbal, um dialogar com o corpo, com a leveza de uma brincadeira, o mesmo que se propõe para educador e aprendiz: uma conversa que parte daquilo que se viveu para cutucar o querer viver. E quando o convite vem com o corpo, cria-se uma conversa de imagens e histórias.

Um fio leva a outro, até criar uma trama de memórias, une um vasto repertório de vivências e ganha vida, enquanto um sorriso puxa o outro e, quando nos demos conta, estávamos todos brincando feito crianças. Então esta era uma semana de planejamento? Sim, já que nas palavras de Renata, uma brincadeira não é aleatória, ela é pensada, planejada e organizada, e quase nunca linear. Aparece mesmo como uma trama, passa pela experiência de cada um, ganha novos sentidos a partir de diferentes interpretações. E essa brincadeira... puxa de lá do fundo da memória um montão de coisas do tempo de criança, um jeito gostoso de acordar o corpo para a volta às aulas. Pensando na imensidão do encontro, da simplicidade do brincar, o que é preciso para que ele aconteça?

Para brincar é preciso estar em experiência.

Dar o espaço para a criança arriscar-se no imprevisto da experimentação, criar hipóteses, conviver com o erro para desejar o acerto, entender o processo e deixar de controlar o seguro, já que vem do imaginário uma livre expressão, uma voz do corpo. É o espaço para a criança e para nós. Escutar as vozes e ouvir o que os corpos têm a dizer com seu movimento expansivo.

E já sabemos como começar: com o reencontro de uma roda e um convite para uma brincadeira. Olho no olho e olho naquele que está fazendo. Não são necessárias muitas perguntas para entender uma brincadeira difícil de se explicar. É preciso perguntar com o olho e responder com o corpo, enquanto o silêncio se diverte ao ser quebrado por uma gostosa e espontânea gargalhada.

E, como disse Dona Maria, uma das personagens das infinitas histórias de Renata , “as crianças andam atrás daquelas pessoas que gostam do que fazem”. Acho que é por isso que nós educadores, há alguns anos, andamos atrás destas crianças.

Julia Boock – professora do grupo Azul

* Renata Meirelles é educadora, mestre em Educação e autora do livro Giramundo e outros brinquedos e brincadeiras dos meninos do Brasil, vencedor do Prêmio Jabuti em 2008.