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Evento Azul

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“Pergunto coisas ao buriti, e o que ele responde é: coragem minha. Buriti quer todo o azul, e não se aparta de sua água – carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”.

João Guimarães Rosa / Grande Sertão Veredas

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Uma manhã de mistura de movimentos e sensação.

Quando a Escola cedo, ainda vazia, eram os pássaros que davam todo som e movimento. Aos poucos, foram chegando os “bom dia!”. Foram chegando com passos que criaram formas e movimentos nos cantos esperados, tudo cuidadosamente arrumado. Flores.

Com o sol que esquenta e abraça, também foram chegando os abraços miúdos e entusiasmados. Os olhos, ainda inchados de sono, não escondiam, tamanho orgulho de terem os pais ao lado.

No quintal, o som dos pássaros foi enfeitado com risadas agitadas, enquanto, no canto da cortina, o toque gostoso da mão, mergulhada no pote de canudos cortados, e a calmaria davam tempo para trocas.

- Filho! Que bacana saber que estamos fazendo essa cortina com lixo, você não acha?

- Mãaaeee...! Não é lixo, é sucata. Vem cá! Vem pra eu mostrar o latão onde a gente joga as sucatas que trazemos de casa.

No canto de pigmentos, as novas cores vinham da mistura de diferentes cores ou de diferentes cheiros?

Na gravura, a colcha que ganhava vida ao som das batidas da criança que, nos convidando a dançar, cantava com a menina morena, os fantoches e as bonecas à beira do nosso imenso mar...

A manhã, que foi toda azul como o céu, terminava, e o sol do meio-dia, tocando maracatu, anunciava que a tarde acompanharia já em um ritmo mais avermelhado.

Laura Affonseca Momberg – Professora do grupo Azul