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Assembleia no F2 - Exercendo Valores

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A concepção de trabalho da Escola Viva pressupõe valores que, a nosso ver, não devem ser apenas conhecidos, mas exercidos. Nesta direção, precisamos gerar oportunidades para que o espaço, as pessoas e as relações que constituem a comunidade escolar possam se confrontar diante de situações que nos afetam rotineiramente e que merecem ser discutidas de forma responsável e proativa, na busca pela melhora da qualidade do convívio e da experiência da cidadania, implicando todos os envolvidos.

É nesse sentido que a Assembleia faz parte de nossas práticas pedagógicas, alinhando e renovando constantemente os valores que regem o nosso trabalho.



Slideshow image

O sinal toca, encerrando o recreio, e o sobe e desce das escadas mostra que todos os alunos sabem bem para onde devem ir. Rapidamente começam a lotar o auditório e a procurar os melhores lugares, tanto para estar perto dos amigos como para terminar a conversa começada no intervalo, antes do professor iniciar sua fala. 

Os professores, todos muito envolvidos e procurando organizar tudo rapidamente, conversam entre si, procurando definir os últimos detalhes, prontos para começar mais uma Assembleia.

Em posse do microfone, um professor orientador começa a falar sobre como acontecerá a Assembleia e para que ela serve. Explica que a mesa será composta de coordenador, secretários e redatores, que haverá votações e, depois de sanadas as dúvidas dos alunos, inicia uma projeção de imagens selecionadas por um grupo de professores para que todos comecem a pensar no tema a ser discutido.

O silêncio toma conta do espaço e os olhos de todos se alternam entre expressões de espanto e dúvida. O final da projeção é seguido de um burburinho que, aos poucos, vai se transformando numa grande discussão coletiva, em que todos falam ao mesmo tempo. Mais uma vez, o professor orientador, de posse do microfone, começa a falar, pedindo que todos prestem atenção ao ponto mais importante de uma conversa em grupo: o ouvir. “Todos têm o direito de falar, mas todos têm o dever de ouvir”, ele diz.

A mesa é composta e os trabalhos iniciados.

A primeira pergunta é: “Do que tratavam as imagens no telão?”

Muitos rostos continuam com as expressões de dúvida, mas atentos às indagações do professor. Muitos olhares se acalmam e algumas mãos se erguem no ar. A voz do professor é substituída pela dos alunos, que comentam e fazem relações com outros momentos na escola. Um aluno pede  o microfone e fala com muita propriedade, apesar das bochechas vermelhas: “O que você faz num espaço pequeno influencia o que acontece no espaço público, coletivo”  Trata de uma forma séria um assunto que é realmente sério: o que fazemos com as coisas ao nosso redor, como cuidamos delas e a repercussão que nossas ações têm no espaço público. Os slides exibidos mostravam carteiras da escola danificadas ao lado de fotos de destruições ambientais.

Alunos, professores e funcionários, cada um na sua vez de falar, levantaram os problemas e as possíveis soluções. Todos aprendendo e ensinando sobre como é importante discutir questões coletivas para um bem comum.

Muitas propostas foram feitas, mas nenhuma votada de imediato. O encaminhamento dado foi o de que cada turma levantaria suas ideias e, através dos representantes de classe, estas seriam levadas à reunião com a Coordenação Geral para que, em uma próxima Assembleia, todos possam votar e chegar a um acordo sobre as atitudes e suas consequências na Escola.

A Assembleia é encerrada e o burburinho recomeça no rápido descer das escadas.

Texto escrito por Sandra Lobo, professora e colaboradora da equipe de Comunicação.