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7º ano - O que está em jogo na questão das identidades?

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O eixo temático da série, Brasil: Imagens e Identidades , e as várias situações de bullying que ocorriam dentro e fora da Escola nos levaram a refletir sobre as relações de preconceito e intolerância às identidades que não correspondiam aos padrões que ‘ditam’ quem são ou não aceitos.

Percebemos que deveríamos propor aos nossos alunos discussões e experiências que os levassem a um entendimento mais profundo sobre as relações de poder, a fim de chegarmos a conhecer modos de convivência em que a diferença entre as identidades fosse não só aceita, como também necessária.

O passo seguinte foi planejarmos parcerias entre OE (Orientação Educacional), Aula-projeto e TP (Trabalho Pessoal).

Em OE, começamos uma série de experiências, nas quais cada turma entrou num “Jogo” em que haveria um grupo hegemônico, que lutava pela manutenção do poder através de situações discriminatórias e não legitimava a existência das “minorias”, e grupos que experimentavam situações como não ter voz, nem espaço, como se sua existência fosse se tornando inferiorizada.

Assim, as turmas elegeram as situações discriminatórias e se organizaram em quatro subgrupos: uma turma jogou com ‘diferenças entre gêneros’, outra com ‘diferenças entre pessoas com e sem necessidades especiais’ e outras duas com ‘diferenças étnico-raciais’. Ao final, todos os alunos experimentaram as duas posições e registraram as impressões de estar no lugar do outro.

Tivemos a possibilidade de discutir sobre situações discriminatórias, o mau uso do poder e nossa responsabilidade sobre as posições que tomamos diante das identidades que aceitamos, rejeitamos ou convivemos.

Encerramos o jogo num debate em que estiveram presentes pessoas que possuem argumentos de autoridade sobre as minorias e suas estratégias de resistência, por serem pesquisadores, militantes ou viverem a condição de exclusão social. Estiveram presentes o Sr. Lauro Roque, de 90 anos, a feminista Tica Moreno, o Prof. Ricardo Campello, especialista em Foucault e a funcionária da Escola Viva, Maria.

Em TP, propusemos uma atividade de pesquisa sobre ‘Política’, a fim de que os alunos pudessem entender este conceito a partir dos três poderes que administram nosso país, até o seu sentido de política mais amplo, como o encontro de pessoas para discussão de um tema específico.

Nas Aulas-projeto, a reflexão e o debate se articularam com a problematização do eixo da série, Brasil: identidades e imagens , a partir da análise de produtos da mídia contemporânea como filmes, documentários e notícias de jornais, nos quais a ideia de normatividade, correção e exclusão do que está ‘fora’ era evidenciada. Assistimos ao documentário brasileiro “Vista a minha pele”, de Joel Zito Araújo e ao documentário americano “Olhos Azuis”, de Jane Elliott. O movimento seguinte, que veio complementar e enriquecer essas discussões, foi a organização das visitas à Sede da União das Mulheres de São Paulo, ao Centro de Referência à Cidadania do Idoso, à Aldeia Guarani Krukutu, ao Restaurante Bom Prato e ao Vale dos Orixás, lugares em que os alunos puderam observar o cotidiano e ouvir as muitas vozes silenciadas pela naturalização da condição de inferioridade a que são submetidos milhões de brasileiros.

Adaptado do texto das Professoras Luce Diogo e Maria da Bethânia



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Novembro de 2011