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Construtores de Pontes

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O Construtor de Pontes, antes de começar a edificação, tem de pesquisar muito, ver o solo, ver o céu, sentir o vento e, principalmente, conhecer os povos que vão utilizar a ponte. E devagar, como um camaleão, transforma-se nos dois povos ao mesmo tempo. Somente, então, inicia seu trabalho.

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O construtor de pontes na verdade é um instrumento de comunicação entre os povos. Ele nunca chega a um local para construí-la sabendo como fará. Ele chega humilde como um aprendiz, pois cada ponte é uma realização única. Cada povo, cada terra, cada céu, requer uma ponte diferente.

A experiência adquirida no decorrer de muitas pontes é o conhecimento das pessoas e das terras por onde passou; mais sábio, seus conceitos tornam-se cada vez mais universais, sua visão do mundo cada vez mais profunda e sua vida cada vez menos pertencente a ele...

André François

Na primeira semana de Fevereiro de 2006, toda a equipe pedagógica da Escola Viva, dentre professores de cada unidade (Atelier, Amarelo, Infantil, Fundamental 1 e 2) envolveu-se numa grande aventura.

Armamo-nos em construtores de pontes e fomos visitar outros povos e outros lugares. Juntamo-nos em grupos, pegamos nossas câmeras fotográficas, nossos cadernos de viagem, nossas lentes internas e rumamos ao (des)conhecido. Começamos pelos mais antigos, por onde tudo começou: um povo cantor, pintor, tocador, dançarino, malabarista, artista, experimentador. Atravessamos a rua e chegamos ao povo do grande quintal, das amoras, dos pés em correria no chão de terra. Andamos mais um pouco e encontramos um povo mais maduro, mas que ainda guarda um gosto por uma casa na árvore, um pedaço de chão de areia. Uma volta no quarteirão e encontramos um povo envolvido em mil descobertas científicas, literárias, artísticas. Rua acima, o povo do canto e do colo, da tinta na mão, no pé, do corpo que fala, que brinca. Andamos pra cá e para lá, construímos pontes entre o Atelier, os Laranjas, Azuis, Vermelhos e Verdes, o Fundamental de 1a a 4a e de 5a a 8a e voltamos para o Amarelinho e Amarelo. De lá para cá e para lá de novo. Descobrimos outros povos, descobrimo-nos a nós mesmos. Vimos o que é nosso neles e reconhecemos o deles em nós. E fomos percebendo que, embora muito diferentes, somos essencialmente povos que constroem pontes. Pontes Vivas.

(Kika, professora tutora de Artes do Infantil)