MiniEventos 5º ano - Mostra dos Trabalhos para os pais

O que as histórias e lendas contam sobre uma cidade? – 5º B
 
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
 
Manuel Bandeira
 
 
Um grupo muito ligado à natureza e suas histórias. Esse é o 5º ano B.
 
Por isso, o grupo escolheu receber os pais para contar o que aprendeu sobre as lendas e os mitos de Santos e Bertioga.
 
Durante o estudo do meio, a pergunta central a ser investigada pela turma era “O que as histórias e lendas contam sobre uma cidade?”.
 
Em Santos, os alunos conversaram com os pescadores para saber sobre as suas famosas “histórias de pescador”. 
 
Quando chegaram na reserva indígena Rio Silveira, em Bertioga, ficaram encantados com a casa de rezas e o espaço sagrado que encontraram ali, respeitado por todos que o habitavam - das crianças aos adultos, todos cumprindo suas regras e apropriados daquele espaço.
 
O pajé contou para eles a história e algumas lendas e mitos do local, o que despertou grande interesse - por parte dos nossos aventureiros - para uma lenda que dizia que os tupi-guarani, tribo indígena que ocupa aquela região, acreditam que toda alma má reencarna em um animal selvagem. 
 
No retorno, as crianças produziram um “contão” - um conto de mistério grande e feito coletivamente – e gravaram, durante as aulas de música, um áudio em que cada aluno ficou responsável por narrar uma parte da história.
 
Os pais foram recebidos de forma que se sentissem dentro de uma casa de rezas tupi-guarani da reserva indígena Rio Silveira. Até o mesmo ritual de sentar homens do lado esquerdo e mulheres do lado direito foi seguido.
 
Para isso, adaptaram o espaço da sala de aula, transformando-a em uma casa de rezas: forraram as paredes com panos pretos - que deixaram a sala totalmente escura, somente iluminada pela luz de velas - e espalharam objetos como chocalhos, penas e conchas pelo espaço (aproveitando o que já vinham aprendendo dentro do eixo temático do 5º ano: Transformações do Espaço!).
O conto apresentado pelo 5ºB dizia que, para nos proteger da maldição das almas más que reencarnam em animais selvagens, devemos fazer desenhos com uma tinta natural, feita à base de carvão, em nosso corpo.
 
E foi assim que os alunos encerraram o seu ritual: fazendo pinturas corporais para que todos os convidados saíssem dali naquele dia protegidos de qualquer mal. E junto com tudo isso, para finalizar, ainda serviram um aperitivo de tapioca, para que os pais conhecessem também um pouco da culinária provada pelos alunos durante o estudo do meio às cidades de Santos e Bertioga. 
Um encontro envolvente, carregado de mistério, cultura e muita história pra contar! 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quais os possíveis olhares para a cidade de Santos? – 5ºC
 
 
O seu olhar lá fora
O seu olhar no céu
O seu olhar demora
O seu olhar no meu
O seu olhar seu olhar melhora
Melhora o meu
 
Arnaldo Antunes
 
De rabo de olho os alunos do 5ºC receberam os pais para uma manhã de encantamento e olhares. Aconchegados em almofadas e enroscados em abraços matinais eles apresentaram seus contos de mistério, palestraram sobre experiências do estudo do meio na cidade de Santos, desafiaram nos jogos de tabuleiro, questionaram memórias. 
Com olhar desarmado, os adultos foram caminhando pela Orla, pelo emissário, pelo Monte Serrat, pela aldeia indígena e centro histórico. Repousando as pálpebras no horizonte daquela cidade praiana, os pais puderem compartilhar o potente envolvimento de seus filhos no conhecimento.
 
É possível transformar o olhar?
 
Ora... os olhos nascem brincalhões! Olhos de criança veem pelo puro prazer de ver, os pequenos percebem as pedras de Drummond como possibilidades de escultura, os adultos têm medo de tropeçar. As crianças querem a poesia do mar derretendo o castelo de areia. Adultos arrancam seus olhos brincalhões e substituem por olhos ferramentas: a olho nu!
Entretanto nesta manhã de terça feira, num golpe de vista, envolvidos pela maresia das produções dos alunos, o olhar adulto serenou e transformou-se. Converteu-se em encanto, transbordou em beijos orgulhosos e trouxe cumplicidade.
 
A escultura de Tomie Otake ofereceu música aos seus convidados, o grandioso jardim da Orla de Santos desabrochou observações atentas aos pequenos urbanistas que indagaram sobre o encontro das flores com o mar. A exuberância de olhar do alto do Monte Serrat autorizou aos gigantes do 5ºC atestarem a construção de uma cidade do século XVI esculpida por indígenas, portugueses, espanhóis, holandeses e alemães em busca das riquezas do "novo mundo".
 
Neste vasto mundo, novo mundo, tão pulverizado de imagens, possibilidades e escolhas, a contemplação pediu passagem com altivez. Serenamos, comungamos e trouxemos significado para nossa atribulada rotina diária.
 
“Sim, é possível transformar o olhar! ” - respondem os alunos do 5ºC. Haja visto tanto brilho nos olhos! Haja vista...
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como diferentes culturas coexistem no mesmo espaço? – 5ºD

 
Eu gosto de delicadeza.
Seja nos gestos, nas palavras, nas ações, no jeito de olhar, no dia a dia e até no que não é dito com palavras, mas fica no ar.
A delicadeza amolece até a pessoa mais bruta do mundo e disso eu tenho certeza.
Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.  
 
Manuel Bandeira
 
O pequeno instante de beleza de uma cebola a ser picada, o peixe agasalhado no ovo e na farinha, a mandioca crua e nua a ser cozida, a curvatura de uma colher, fiapo de palmito pupunha regado no lim?o, um doce sorriso aprovando o sabor, o arroz alvo, uma piscadinha pelo ponto exato do sal, o escândalo de uma banana com canela. Pequenas coisas que, de repente, juntas, acumuladas pela nossa sensibilidade, podem criar uma ética de generosidade e delicadezas.
 
Foi assim o encontro entre famílias para desfrute da mostra de trabalhos sobre o estudo do meio do 5oD para a regi?o de Santos e Bertioga, no litoral paulista. Cumplicidade de vivências e simplicidades.  Comunhão na apreciação de um almoço caiçara, do estar de bem com a vida, de ser feliz por momentos. Um respeito mútuo entre adultos e crianças cozinhando juntos, momento que acalenta a rotina e deixa as ordens e tarefas menos pesadas. Cozinhar é ato sagrado. Cozinhar junto é benç?o divina. Experiência. Experimentar. Errar. Acertar. Errar de novo. Sorrir. Sentir o prazer da conquista. Saborear!
 
A visita à ilha Diana, localizada em Santos, trouxe aos alunos do 5o ano D o encantamento por essa sutil simplicidade. A urbana e banal velocidade da vida abriu espaço para nossos estudantes inquietarem-se com um outro modo de vida. De pé na areia, a maresia trouxe reflex?o sobre outra cultura, sobre outra forma de agarrar-se à vida, outra consciência aguda de sobrevivência. Moradores de uma pequena vila de pescadores oferecendo tranquilidade, construções simples, vasta vegetaç?o e costumes preservados.
 
O contraste de vivências, urbana e caiçara, trouxe certa sensaç?o de ruptura, sensaç?o de sermos arrancados dos nossos sentidos, um sentimento de estranhamento que permitiu observar a vida para além dos sabores e saberes conhecidos. Percebemos nosso crescimento através da pedra que corta e faz a faca, do bambu que faz o arco, do pote que segura a água e a comida, das plantas que aprendemos a plantar e a comer. Observando outras culturas, atestamos nossa evoluç?o e percebemos a delicadeza do viver.
 
Simples,n?o?