Os diferentes quilombolas do Brasil

 João Henrique Medeiros Paes

 

 

Os quilombos eram comunidades de escravos do Brasil que fugiam por não agüentar a situação árdua e difícil imposta pelos seus senhores . Muitos escravos fugiram, como os que formaram o quilombo de Palmares,em Alagoas, na serra da Barriga, no ano de 1600. Palmares destacou-se por ser um dos maiores quilombos já vistos.No estado de São Paulo, o quilombo de Ivaporunduva foi à primeira comunidade que entrou na justiça em 1993, pedindo que o governo reconhecesse sua comunidade e desse o titulo de propriedade a eles.O que pode diferenciar um quilombo do outro, sua cultura, sua organização ou sua história?
Algumas pessoas tiram conclusões precipitadas sobre as comunidades quilombolas, são preconceituosas e chegam falar”deve ser um bando de negros vagabundos, mas isto está completamente errado, temos que respeitá-los por sua história e cultura.
Como foi seu modo de vida no passado e agora, que podemos descobrir sobre os quilombolas e suas diferenças?
O quilombo de Palmares foi criado com mais ou menos 45 escravos fugitivos, em 1600, que se refugiaram em densas florestas de palmeiras (que daí vem o nome Palmares) na serra da Barriga onde se localiza atualmente no estado de Alagoas. Foram combatidos por expedições à procura de escravos, no ano 1602 e depois em 1608.
As moradias da comunidade de Palmares eram casas tipo mocambo(cabana rústica coberta de folha de palmeira).Cada mocambo tinha sua própria organização, com sistema de defesa que incluía postos de vigia no meio da mata e caminhos camuflados que interligavam todos os mocambos. Havia um chefe no mocambo, de nobreza africana, mas alguns que não eram nobres conseguiram o posto por habilidade.
Depois da invasão de Pernambuco pelos holandeses, a fuga de escravos intensificou-se. A maior parte desses escravos fugiram para Palmares por ser famoso. Com essa fuga já havia no quilombo de Palmares 10 mil habitantes, inclusive índios e brancos no meio.
A evolução de Palmares chegou até em 1670 quando ocupava grande parte de Alagoas e Pernambuco. Pelo que os historiadores descobriram a comunidade era de aproximadamente 50 mil pessoas distribuídas num território de 260 km de extensão por 132 km de largura.
Suas principais atividades econômicas eram: agricultura, caça, pesca e desenvolveram uma relação comercial com vilas e povoados vizinhos.
A guerra dos fazendeiros e governadores contra o quilombo de Palmares começou em 1667. Eram batalhas violentas e sangrentas, mas em todas elas sem nenhum vencedor.
Para essa guerra o quilombo de Palmares tinha uma organização, que ia de guerreiro até estrategista militar.Na maioria das vezes quem era o estrategista era o rei que a comunidade havia escolhido.
E a guerra continuava sem nenhum vencedor, mas as tropas dos fazendeiros já haviam atacado vários mocambos grandes, então, o rei de Palmares, Ganga Zumba aceitou o tratado de paz que o governo propôs. O Quilombo de Palmares foi considerado livre sem nenhum escravo, mas muitos palmarinos não gostaram da decisão. Ganga Zumba foi envenenado e seu parente Zumbi virou rei. Zumbi revelou-se um grande estrategista militar derrotando todas as expedições para conquistar Palmares.
E assim se manteve entre 1680 a 1691. Zumbi já era temido e respeitado.
Só que em 1694 o exército de fazendeiros conseguiu derrotar o quilombo de Palmares. Muitos fugiram do desastre como Zumbi. Em 1695 os fazendeiros acharam Zumbi e o mataram. Ele foi esquartejado e sua cabeça foi exposta em uma vila próxima. Foi assim que o quilombo de Palmares foi destruído.
Atualmente a área que restou contém ainda suas moradias e virou uma vila onde tem uma cultura afra brasileira que comemora a morte de Zumbi como dia da liberdade negra. Alem de virar um símbolo para negros pobres que procuram fazer uma revolução como Zumbi.

Ivaporunduva está situada no município de Eldorado, é a mais antiga comunidade do vale do Ribeira.
Sua história, pelos documentos encontrados começou quando no século XVII, a partir da chegada de mineradores que começaram a escavar e achar ouro.
Uma das primeiras pessoas a ocupar a área foi uma mulher chamada Joanna Maria, que construiu uma casa por lá com seus escravos onde atualmente é a sede da comunidade.
Morreu em 1802, deixando as terras para seus escravos. Mas a comunidade diz que escravos fugidos que estavam ao arredor se organizaram e tomaram a comunidade.
Segundo os moradores de Ivaporunduva, a origem da comunidade é anterior à data de 1720. “Por volta de 1700, quem vivia aqui não eram mais os escravos. Só que eles viviam numa pressão muito forte, do pessoal que tava aqui para baixo e aqui para cima, que vinha aqui para pegar eles e levar de novo para vender. Vendiam em Iporanga, onde a mineração era muito forte, onde tinha muito dono di escravo”, conta Benedito Alves da Silva.
O maior patrimônio de Ivaporunduva é a capela de Nossa Senhora do Rosário dos Homens, o mais antigo templo religioso existente no alto Vale do Ribeira.
Atualmente, ainda há culto na capela toda semana e uma missa uma vez por mês. A festa mais tradicional da comunidade é a comemoração do Dia de Nossa Senhora do Rosário, celebrado todo dia 12 de outubro.
A comunidade é formada por cerca de 280 pessoas que vivem em uma vila localizada na beira do Rio Ribeira de Iguape, e em casas espalhadas sertão adentro, até cinco quilômetros de distância da vila. A maioria das casas da vila é de alvenaria e coberta com telhas, mas no interior da comunidade, as casas ainda são de sapé, pau-a-pique, com chão de barro socado.
São desenvolvidos projetos de plantação de banana orgânica, produção de artesanato com palha de bananeira, repovoamento do palmiteiro juçara e coleta seletiva de lixo.
Em maio de 2003, a comunidade conseguiu o certificado de banana orgânica, concedido pelo Instituto Biodinâmico de Botucatu.
Vimos que Palmares surgiu muito antes de Ivaporunduva. Suas táticas de sobrevivência também foram diferentes porque a de Palmares foi pela guerra e a de Ivaporunduva foi pelo difícil acesso; suas moradias também eram diferentes, pois Palmares usava folhas de palmeira e Ivaporunduva pau-a-pique e barro.
A quantidade de habitantes de cada quilombo era bem diferente. Enquanto em Palmares havia aproximadamente 50 mil em Ivaporunduva eram somente 300 pessoas.
Outra diferença marcante é que Palmares foi destruído e Ivaporunduva sobrevive até hoje.
Por fim, suas atividades econômicas são diferentes. Palmares era a agricultura, pesca, caça e comércio. Ivaporunduva o cultivo de banana
para a alimentação alem da criação de gado.
Concluímos que a estratégia de Ivaporunduva era melhor para a sobrevivência por ter menos sacrifícios. Mas com certeza Palmares era muito maior que Ivaporunduva em tamanho e população.

 
Bibliografia
www.portalafro.com.br
www.cpisp.org.br
Fontes
entrevista: Benedito Alves da Silva (quilombola residente na comunidade Ivaporunduva)
 

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